Pensamentos e reflexões de Davi Roballo e outros autores

À BEIRA DE UM COLAPSO PSICOLÓGICO

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Um aperto constante no coração, como forma de angústia que aflige minha alma, torna-me uma fugitiva de mim mesma à procura de algo que aplaque esse sentimento. Envelhecer: será que havia me preparado para isso?

Constato que diversos fatores contribuíram para que tal sentimento ocorresse neste período da minha vida. Na verdade, penso que camuflo muitas coisas e vivi um período por demais longo na superfície dos acontecimentos, não caindo de cabeça nos fatos, pois, se assim fosse, não sobreviveria na minha sanidade mental. Desta forma é que analiso, na minha modesta concepção, que estou à beira de um colapso psicológico.

Também, pudera, ontem andei pelos campos floridos, a bailar na brisa, esbanjando juventude, e hoje me percebo com sessenta anos. Meu Deus! Foi tudo tão rápido que praticamente não vi o tempo passar diante de mim. Sinto-me vazia, roubada de mim mesma. Percebo estar em uma enrascada, ou seja, em uma luta inglória contra o tempo, e não percebo como sair desse emaranhado conflito existencial no qual me encontro, pois vejo que perdi o foco. Confesso que luto desesperadamente para reencontrá-lo, mas me parece que todos os caminhos levam a nada, absolutamente NADA! É assim que me encontro neste exato momento! Vazia, roubada. Essa dor constante e irritativa que desce do meu ombro e para em meu peito, a gritar constantemente: “estou aqui, sou sua companheira!” Não a quero, digo-lhe.Mas que teimosa! Agarra-se em mim feito uma simbiose formada entre o consolo da maturidade e o açoite dos anos, pois, ao que parece, o tempo não nos concede nada de graça, o tempo é o mais cruel dos mercenários.

Mergulhada na angústia, muitas vezes peço socorro, mas a voz é aprisionada na garganta e apenas um grito mudo pode escapar. A dor se torna ainda maior quando percebo que muito depende de mim mesma, mas já me cansei de ouvir que sou uma mulher forte e guerreira (por muito lutar,hoje me fragilizo), uma boa filha, boa amiga, boa aluna, boa profissional.

Minha ambição no momento é ser como todos, com suas inseguranças, suas fraquezas, suas irritações, amor e bondade, enfim, normal. Sinto, no olhar das pessoas próximas a mim, que (elas) precisam da minha dinâmica de vida e de pensar, percebo o decepcionante sentimento que as envolve quando constatam que estou com “problemas”, pois sempre fui um exemplo de decisões firmes, corajosas e sistemáticas.

A finitude… Tudo que tem um começo terá um fim, é óbvio. Vejo as transformações em meu corpo e minha mente já cansada fraqueja, as forças, que eram constantes, agora titubeiam.

Na linha do tempo a considerar ficaram as cicatrizes, que hoje reclamam seu espaço na cobrança da valorização dos seus sentimentos, do que as marcaram, em uma lembrança por demais dolorida que se repete continuamente, fatos por fatos a rememorar, sofrendo novamente, infinitamente, o que já foi e que deixou marcas.

Preciso de fôlego, tranquilidade, apagar, esquecer; preciso de tempo, tempo para reconstruir esse meu EU desconhecido que me tortura implacavelmente. Preciso saber quem sou! Urge encontrar-me comigo mesma…

ITA BRASIL

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