A fera interior

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Há um leão que habita meu EU,
Quando dorme tudo flui,
Tudo canta, tudo ri,
Mas vez por outra
A fera desperta
E percebe estar presa
Nas grades de minhas convicções,
Com humor ferino
Olha pela vidraça de meus olhos,
Inconformado ruge estridentemente
Abalando o que me resta de humano,
Provocando a revoada dos pássaros
E cigarras que habitam
Os jardins de minha alma;
Outras vezes enterra-se
Feito toupeira em meu coração
E chora feito um cãozinho
Que sente fome e frio
E não tem ao seu alcance
O calor e as tetas de sua mãe.
Compadecida minha outra parte
A parte inocente, mansa
Tenta arrancá-lo do buraco,
Mas a fera morde sua mão,
Mesmo frágil há orgulho
No seu olhar,
Mesmo com fome e frio
Volta a adormecer
Pois quer a si mesmo bastar,
Afinal é um leão,
Rei da erma selva
De sua própria solidão… 
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