A natureza da felicidade

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Nas atuais conjunturas sociais, econômicas, profissionais e afetivas em que ora estamos mergulhados no advento do século XXI, esquecidos somos de nós mesmos, numa contradição em que no plano globalizado lutamos para uma melhoria pessoal e coletiva, ao mesmo tempo em que nos ignoramos internamente.

Se Sócrates fosse nosso contemporâneo iria, com certeza, propor que fosse retirada dos portais do templo de Delfos na Grécia e colocada em cada parede na qual passamos a maior parte de nosso tempo, a frase “conheça-te a ti mesmo”. Nos últimos 100 anos, as coisas têm viajado e evoluído numa velocidade espantosa, podendo-se dizer que a humanidade progrediu “materialmente”, neste curto espaço de tempo, perto de cem vezes mais do que havia progredido até então. No entanto, o homem continua quase que o mesmo internamente, a ponto de conhecer melhor o vizinho do que a si mesmo.

Buscamos constantemente uma abstração: a “felicidade”. A procuramos em todos os locais e caminhos, principalmente nos mais longos e esparsos, e por ignorar nossa própria pessoa, desconhecemos o mais curto e rápido acesso, no interior de nós mesmos. Gandhi já nos havia alertado que “não existe um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho”.

O nosso impulsor de vida atualmente é o mundo material. E essa utopia consumista faz-se tão presente em nossas vidas, que sem nos darmos de conta estamos a viver como se máquinas fôssemos. Somos escravos consumistas e rótulos da moda, bem como agentes de um mundo social de aparências. E como atores, desempenhamos papéis de bonzinhos, caridosos, éticos, polidos etc. Tudo para sermos considerados “incluídos” nos segmentos da sociedade, escrava de seus próprios anseios. Se interpretarmos papéis, deixando de ser nós mesmos, chafurdamos na ignorância de sermos hipócritas, numa insana barganha por inclusão e status, que ludibriados confundimos com felicidade, quando na verdade é só vaidade, a bestial vaidade.

Então, o que fazer para conhecer a si mesmo e encontrar o ponto de partida no caminho da felicidade? Para isso, devemos nos reconhecer como realmente somos, prestando mais atenção em nossas atitudes cotidianas e aceitar que somos falíveis, tanto quanto perfectíveis, assumindo nossas responsabilidades, pois o que nos aproxima da felicidade é a paz de espírito. Se a felicidade tivesse alguma relação com a matéria, certamente seria vendida em farmácias e supermercados. Para conquistá-la, é necessário estar livre de todas as pragas que movem nossos instintos, como a inveja, o demasiado ciúme, a cólera, o orgulho, o egoísmo, a vaidade… Pois a felicidade, de tão delicada que é, não consegue sobreviver onde enraizados estão estes espinhos.

Partindo do ponto em que: “não existe um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho”, veremos que todo o caminho tem um ponto de partida e que ele localiza-se segundo o “conheça-te a ti mesmo”, dentro de nós, e não na matéria exterior a qual tanto valor se dá.

Davi Roballo

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