A Nossa Vida (não) é Um Conto de Fadas? x

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A Nossa Vida (não) é Um Conto de Fadas?

Na terra dos contos de fadas, floresce a poesia. Eu a procuro na trilha do sonho que me guia. Rose Ausländer

É comum escutarmos ou até mesmo dizermos: “A vida não é um Conto de Fadas”. Esta é uma máxima muito proferida pela grande maioria de nós em diferentes situações. E olhando para ela agora não parece haver nada de errado, não é mesmo? Bom, não é que ela esteja errada, mas sim a sua interpretação

A nossa vida é um Conto de Fadas!

No primeiro artigo, “(Re)descobrindo os Contos de Fadas”, mencionei que os contos são o nosso autorretrato, o espelho da psique humana. Logo, nós estamos imersos nessas histórias. Afinal, quantos “era uma vez” já não vivenciamos em nossas vidas? Quantas coisas fizemos pela primeira vez? Quantos “finais felizes” tivemos? E quantas tantas outras vezes tivemos que reiniciar algo, e enfrentar obstáculos parecidos com os quais já havíamos nos deparado antes, até podermos nos reaproximar do final feliz?x

Toda manhã, ao despertarmos, iniciamos um novo capítulo da nossa história, um novo “era uma vez”. E à noite, ao deitarmos, refletimos sobre o dia, sobre o que poderíamos ou não ter feito, nos alegramos, nos cobramos, ansiamos por um evento futuro, adormecemos ou temos insônia…x

Isto é, escolhemos ou não finalizar essa parte do nosso enredo com “felizes para sempre”. Talvez ainda, não seja “para sempre”, e sim, somente, “feliz para”. Feliz para continuar sonhando; feliz para aprender coisas novas; feliz para viajar para um lugar desconhecido; feliz para trabalhar no que gosta.x

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A magia dos Contos de Fadas está em abarcar temas universais, tais como: autonomia, sobrevivência, relacionamento, morte x nascimento, amor, medo,ansiedade, inveja, luxúria, traição, miséria, fome, abandono, sexualidade, independência, entre outros. E nem sempre tudo isso nos traz felicidade, pelo contrário.x

Nas linhas das histórias de fadas podemos ver o quanto o mundo poder ser cruel também. Conhecemos os opostos e notamos o quanto um complementa o outro. Como saberíamos o que é felicidade se nunca tivéssemos vivenciado um momento de tristeza, por exemplo?x

Isso me faz recordar um conto chamado “O João sem medo” dos Irmãos Grimm. Vale lembrar que essa história também pode ser conhecida por outras variações, como: “História do jovem que saiu pelo mundo para aprender o que é o medo”.x

Neste conto, o protagonista vivencia diversas situações, algumas até mesmo bizarras e surreais, para conseguir descobrir o que era esse tal de medo que todo mundo sentia e falava. No final, ele aprende o que é ter medo, de uma maneira bem simples, por sinal.x

Trouxe essa história, tanto para clarificar a ideia de opostos, como para pontuar que o medo (tema universal) é um sentimento comum a todos os seres humanos. Ele pode nos paralisar na mesma intensidade que pode nos impulsionar, ou seja, ele não é de todo ruim. Verena Kast (2006), analista junguiana, ao interpretar esse conto, coloca como subtítulo o seguinte: “Ser humano é ter medo”.x

Retomando a frase inicial, que dá título ao artigo desta quinzena, a nossa vida é sim um conto de fadas, uma vez que retrata de forma pura e genuína quem nós somos e aquilo com o que esbarramos no dia a dia. Como diz ainda a autora Noemí Paz (1992, p.18), “o conto de fadas nos mostra as linhas básicas do destino humano, a evolução pela qual todos os seres devem passar”.x

Que a partir de agora você possa procurar na terra dos contos de fadas aquilo que te faz florescer e viver a vida intensamente e levemente. Afinal, os contos nos demonstram que isso é possível!x

 

Texto de Juliana Ruda 

Publicado em O PSICOLOGO ONLINE

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