Condenados

O poeta, se existir vida após a morte
É aquele degredado
Que vem cumprir uma pena
De cicerone entre as multidões,
A sensibilidade é seu infortúnio,
Suas correntes, seus grilhões
Que produz na alma sua inquietação.
O poeta é um condenado
A buscar na letra a paz e a resignação.
O poeta é um estranho
Que trás na alma saudade do que não sabe
Enquanto o peito sangra diuturnamente
E é arrastado pela angústia
De tudo ver, de tudo sentir
E ter de ser obrigado a lançar as mãos
Em direção as letras
Por onde passam as dores do mundo
A rascunhar uma estrada
Que lhes dê momentâneo alivio;
Alivio de dor vida,
Pois viver dói…
E essa pena é ainda dobrada
Quando se nasce de olhos abertos
Obrigado a enxergar ao longe o outro
E de perto o interior de si mesmo…
Muitos querem ser poeta,
Mas não podem,
Muitos podem, mas não querem…
No entanto, as circunstancias da vida
O fazem ceder a este impulso,
A esta explosão de letras e códigos
Que acontece de dentro pra fora,
Pois o peito de carne
Não segura o que dilatou a alma…
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