Errar é humano, sem erros não viveríamos

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Rubem Alves no livro “Se eu pudesse viver minha vida novamente…”, nos dá uma aula de sabedoria a respeito dos erros cometidos por nós em nossa trajetória de vida, para o autor, os grandes responsáveis por nossa realização e felicidade não são os acertos, mas os erros, pois estes nos obrigam a traçar novas rotas, novos planos, pois “Estou onde estou porque todos os meus planos deram errado”.
Desde a tenra idade somos condicionados no seio familiar e escolar a primar pelo acerto, mas a vida é algo indomável, e sendo assim, nos impõe as suas próprias diretrizes. Por nos julgarmos autossuficientes não percebemos que é a vida que nos conduz, pois a pretensão em conduzi-la é irrealizável.
Depois de certa idade percebemos que a origem de nossos momentos infelizes está no medo de errar, nos comportamos dessa forma, muitas vezes, por receio de trafegar por outro trajeto desconhecido. No entanto, quando erramos e reconhecemos o erro, não como uma negatividade, mas como um vetor que aponta uma nova direção, a vida flui e aos trancos e barrancos vamos somando nossos dias em direção a tão temida velhice, fase da vida em que o poeta Jorge Luiz Borges, citado por Rubem Alves, aos 85 anos disse: “Se eu pudesse repetir minha vida novamente, na próxima trataria de cometer mais erros”.
Ao percorrermos a vida e ao nos defrontarmos com as frustrações decorrentes do erro, é comum nos perguntarmos: onde foi e por que eu errei? Simples, a existência não tem manual de instruções. Como humanos racionais somos considerados seres perfectíveis, isto é, somos sujeitos a erros e a acertos, não somos perfeitos, mas seres que buscam viver da melhor forma possível, mas para isso é preciso experimentar e a experiência possui um mesmo caminho que conduz ao erro e ao acerto, na verdade, os dois tem uma mesma função, nos conduzir por onde ordena a vida, embora o acerto costume estacionar pelo caminho.
Somente na maturidade conseguimos perceber a importância do erro em nossa vida, como também aprendemos a apreciar a beleza existente nas pessoas que erram e não desistem de viver, pois há uma grande diferença entre o acerto e o erro. O acerto nos dá a ilusão de termos chegado ao fim de uma trajetória, oportunidade em que a acomodação impera, enquanto o erro nos faz caminhar mais e quanto mais caminharmos, mais paisagens para o deleite de nossos olhos, mais sabores ao nosso paladar, mais sons aos nossos ouvidos, mais cheiros…
Não fossem meus erros, você não estaria lendo-me nesse exato momento. Não fosse pelos teus erros também não estaria onde está agora. Não pense que meu sonho, minha idealização foi ser escritor. Meu desejo desde a infância foi ser teólogo, no entanto, cometi o erro de ler os livros errados, livros que me proporcionaram certa lucidez quanto à vida e o próprio homem, livros que são fontes, fontes que não me saciam e sim, aumentam ainda mais minha sede. Livros são meus erros, erros que me mantém vivo.
Trazido pelos erros até o mundo das letras, assim como o autor já citado, recebi e recebo criticas por meus erros ortográficos e gramáticos, dificuldades que trago em meu escrever desde há muito, pois sempre fui um péssimo aluno, mas ótimo em errar, em desaprender. O tempo mostrou-me que meus erros de escrita são ínfimos ante os erros que me trouxeram até aqui, mas são importantes, pois me tornam aquilo que sou.
O certo como muitos fazem ao receber críticas, seria ter desistido do escrever, mas preferi o errado, continuar errando, andando, pois já cheguei a muitos lugares assim, além do mais, a vida me trouxe até os platôs da maturidade antecipada através dos livros e talvez como missão, como retribuição a um favor, devo compartilhar o que aprendo com os leitores, pois guardar para si o que aprende, não é um erro, mas egoísmo.
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