Exilado do paraíso

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Antes de acordar
No mar tenebroso da realidade
Eu flutuava naquele liquido
De temperatura agradável
Protegido de todos os perigos
Sem necessidades, sem compromissos
Até que um dia o liquido vazou
E fui expulso contra minha vontade
De um perfeito paraíso.
Fui recebido no mundo
Com uma palmada
E com isso descobri
O quão horrível é ter de
Respirar para viver
Quando na verdade
Se começa a morrer lentamente
No mundo adulto percebo
Que minha saudade mais profunda
Está mergulhada no liquido cálido
De meu paraíso perdido

Paraíso confortável, sem medos
E sem perigos
Meu desejo mais secreto
Na verdade
É retornar ao útero de minha mãe
Pois o mundo aqui fora é um misto
De loucura e desespero
Pois se há algo comum
Entre as pessoas
É a dor silenciosa e inquietante

De ter sido exilado do próprio paraíso

Davi Roballo – Porta, Escritor

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