O calcanhar de Aquiles

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Nós, autodenominados humanos, muitas das vezes nos preparamos para nos defender de algo mais forte e perigoso, e então, sem perceber somos atingidos na alma por situações medíocres e corriqueiras. Ocorre que levados pelo ego, almejamos tudo o que é grande e majestoso a ponto de ter atraído para nós o olhar do outro, enquanto ignoramos que nas coisas simples estão as maiores alegrias, como também nas mais medíocres e banais, os maiores perigos.

Aquiles, herói grego, era dado como imortal e disso fazia sua arrogância e destemor. Tétis, Ninfa marítima e mãe de Aquiles, como forma de proteger o filho – pois o mesmo era um mortal como seu pai Peleu (Rei dos Mirmitões) -, mergulhou o bebê recém-nascido nas águas do Estige (Rio que segundo a Mitologia Grega dá sete voltas no inferno), para que adquirisse imortalidade. Acontece que ao mergulhar a criança na água, ficaram de fora os calcanhares, pelos quais a Ninfa e zelosa mãe o segurava.

Na batalha final contra os troianos governados pelo Rei Príamo, Aquiles defendendo os gregos morreu atingido no calcanhar por uma flecha envenenada, lançada por Páris, príncipe de Troia. O herói grego estava preparado para as lanças, flechas e espadas troianas, mas deixou desprotegido seu calcanhar, pois estava preocupado em conquistar a glória suprema como o maior guerreiro da história humana, porém, antes de a flecha tê-lo matado de fato, Aquiles já havia sido morto por sua vaidade.

Henry Ford, engenheiro mecânico notável por ter desenvolvido o processo de produção em linhas de montagens foi um homem muito rico, mas dado a viver com simplicidade. Segundo Osho, quando Henry visitou a Inglaterra junto a seu filho, logo que chegou ao aeroporto vestindo um casaco surrado pelo tempo, perguntou ao atendente do balcão de informações onde poderia encontrar um hotel simples e barato.

O recepcionista estupefato respondeu: mas o senhor é Henry Ford, sei disso, pois há dias vejo fotos suas nos jornais anunciando sua vinda, o senhor não pode ficar em hotel simples. Seu filho, por exemplo, passou por aqui hoje vestindo um belo e fino traje e perguntou sobre o melhor hotel de Londres.  Perdoe-me, mas o senhor com esse casaco desgastado, não fossem as fotos que vi, diria não ser Henry Ford.

Ford após ouvir atenciosamente o recepcionista, respondeu: meu filho é muito jovem, portanto, ainda não encontrou o equilíbrio, por isso age conforme o que as pessoas vão pensar dele, pois vive para elas e não para si. Não existe a necessidade de eu ficar em um hotel caro, pois em um hotel simples continuo sendo Henry Ford, isso não faz diferença alguma. Não preciso de roupas novas, quanto ao casaco, era de meu pai, mas isso também não faz diferença nenhuma, pois vestido com roupas velhas ou novas, e até mesmo nu, continuo sendo Henry Ford…

O filho de Henry Ford estava sendo conduzido pelo ego. E quando o ego toma as rédeas de nossa existência passamos a viver em função dele e não da nossa vida, pois ele se torna maior que nós mesmos. Aquiles possuía o que todos os seres humanos sonham e desejam, isto é, a imortalidade, mas seu ego queria mais. Assim somos nós, desejamos um carro confortável, adquirindo um, em pouco tempo passamos a achá-lo pequeno e/ou velho e então decidimos trocar e depois trocamos por outro e etc., por isso o ditado popular que diz: “o maior desejo de um rico é ser ainda mais rico”, pois o ego é insaciável.

A lenda de Aquiles serve para mostrar que todos nós temos um ponto vulnerável e por isso devemos buscar o equilíbrio de nossa alma através do encontro com a vida e com nós mesmos, pois o equilíbrio do viver é possível assim que passamos a nos conhecer melhor, localizando em nossa própria alma os nossos pontos fracos e o que fazer para corrigi-los, como também para protegê-los do outro e de nós mesmos.

Davi Roballo

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