Pensamentos e reflexões de Davi Roballo e outros autores

O espelho… \ Ita Brasil

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Sempre que me olho no espelho, o que vejo não é o que almejo, as transformações de meu corpo que teima em acompanhar a cronologia do tempo fere-me a alma, não bastasse o tempo a corroer meu corpo que logo mais completará com o infinito, existe esse sentimento lento e angustiante a bater em meu cérebro a comandar os neurônios num dizer da impossibilidade de agir contra as benesses do tempo, benesses? Escapou-me essa palavra! Pois que dessa vida sofrida e utópica já estou a meio ou mais, não se sabe, caminho andado. Parto para conjecturas de uma existência onde o ontem se perde no hoje, sem saber qual o real.

Antes de chegar a esse ponto de minha jornada jamais havia refletido tanto sobre a morte. Até aqui vivi na falsa concepção de que sou eterna, quem morre são os outros, eu não. Ao me olhar no espelho e perceber as marcas do tempo caio na realidade de que estou sendo erodida, minha ampulheta do tempo já escoou praticamente dois terços da areia, isto é, estou cada vez mais perto de meu fim. Ao imaginar ter ainda, se tiver sorte 30 anos de vida, 20 anos ou 15 anos, percebo que se faz necessário viver e bem vivida a vida que me resta. Ante essa fria realidade meu consolo é poder olhar para trás e perceber que fiz tudo o que estava ao meu alcance e que tenho sim o direito de viver o mais feliz possível, pois em hipótese alguma devo pensar em perdas, mas seguir em frente consciente de que não vou ficar para semente, pois apesar dos percalços e da insensibilidade do tempo a vida é bela e eu mereço desfrutá-la.

O que tenho feito esses dias de reflexão é buscar me fortalecer na aceitação de que tudo tem seu tempo, que nada é eterno, hoje sou eu que estou passando por essas crise existencial referente a minha idade que reflete sobremaneira em minha finitude, ontem foi meus pais, anteontem meus avós e amanhã com certeza serão os meus filhos e netos, pois a vida continua.

Em toda minha vida que ficou para trás, jamais pensei que um dia seria tão difícil olhar-me em um espelho como estou fazendo nesse exato momento. Vejo uma mulher madura completamente estranha a minha pessoa, acredito que estou conhecendo-me agora, pois vivi tanto me doando aos outros que me esqueci de mim a ponto de estranhar a minha própria imagem em um espelho.

Enfim, hoje já estou me sentindo bem melhor, pois já estou acostumando comigo mesmo, estou aprendendo a amar a mim mesmo, estou procurando recuperar o tempo em que abandonei a mim mesmo, além do mais estou percebendo que a maturidade da alma, quanto da pele é algo maravilhoso e de uma beleza sem precedentes.

Ita Brasil

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