O gênio da lâmpada

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GENIO DA LAMPADA

Na atual conjuntura econômica, tecnologia e educacional em que estamos vivendo e que muitos teimam em rotular como Era da Informação, não estamos dando conta das consequências de nosso próprio desleixo em relação a educação dos próprios filhos. Escravizados pelo tempo e pela ilusão do ter para poder aparecer, pais quase não despendem mais o tempo com os filhos e os professores ao que parece deixaram de especializarem-se em métodos que possam detectar o tipo mais adequado de educação a cada aluno, principalmente quando o comportamento em sala de aula foge do status quo pré-estabelecido, assim sendo, sem subsídios para uma maior interpretação do contexto, o “problema” é encarado como doença afetiva ou de humor.

Devidoa linha produtiva de pensamentos homogêneos em que se transformaram as salas de aula, tanto das séries iniciais quanto das universidades, alunos que não são atraídos pela forma tradicional do ensino estão nas filas dos consultórios psiquiátricos aguardando um diagnóstico, para consequentemente mergulhar no mundo das drogas cientificamente legalizadas como a Ritalina, adaptando-se a uma obediência embotada e servil, adormecendo assim, muitas vezes o intelecto de um gênio.

Em meados do século XIX na cidade de Milan no estado americano de Ohio uma mãe recebeu das mãos do próprio filho uma carta selada de sua escola. A mãe leu a carta e chorou copiosamenteao guardá-la em um armário com chaves.Omenino como toda criança curiosa que está descobrindo o mundo perguntou para sua mãe o que estava escrito e ela lhe respondeu: Filho a escola está dizendo que você é um gênio e que não há estrutura suficiente para atender a tua genialidade, portanto, de hoje em diante eu terei de cuidar de tua educação escolar em casa.

O tempo passou e o menino cresceu transformando-se em dos maiores gênios que a história da humanidade já testemunhou, Thomas Edison. Devemos a esse inventor a lâmpada elétrica, o projetor do cinema, o microfone e inúmeros outros inventos que facilitaram a vida humana. Thomas Alva Edison dias após sua mãe ter falecido encontrou a carta entre coisas dela e se surpreendeu, porquanto estava escrito nas páginas amareladas: “Seu filho é confuso e tem problemas mentais. Não vamos deixá-lo vir mais à escola”.

Se Thomas Edison fosse nosso contemporâneo com certeza continuaríamos na escuridão e nossa vida teria sido totalmente diferente, porquanto a escola o encaminharia para uma avaliação médica e o mesmo seria diagnosticado como portador do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), no entanto, apesar de ter nascido há mais de 150 anos teve uma mãe de referência admirável. Nancy sabia que o filho inquieto, questionador e muito curioso precisava alimentar sua curiosidade, para isso tratou de deixar ao alcance das mãos do filho, livros de história, ciências e literatura.

Irrequieto o menino Thomas Edison desejou experimentar o que lia nos livros científicos e com aval dos pais montou um pequeno laboratório em casa e desde então não parou mais de encantar-se com a pesquisa e a ciência em si. Suas descobertas são de suma importância para a história da humanidade, sua genialidade é indiscutível e a sua criação só cessou com a morte aos 84 anos em 1931.

Voltando ao contexto social desses novos tempos percebe-se que tudo tem um determinado diagnóstico, tudo é medicado, praticamente tudo é pautado pela indústria farmacêutica que nas últimas décadas de forma exponencial tem invadido a vida dos cidadãos de forma mais agressiva, seja como medicação para dormir ou para manter-se acordado e ultimamente para manter nossos filhos disciplinados…

É quase certo que nosso modo de vida acelerado e egoísta tem sepultado diariamente muitos gênios talentosos que mal desabrocham e são podados por nossa falta de paciência e efeitos medicamentosos. Não sei se Thomas Edison teve sorte em não ter nascido em nossa época ou se a sorte é toda nossa por ele ter nascido bem antes desses tempos confusos em que vivemos…

Davi Roballo 

Jornalista, Especialista em Comunicação e Marketing \ Especialista em Jornalismo Político.

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