Remediar feridas



Há muito me esforço para parir
O que realmente quero escrever,
No entanto,
Só migalhas de meu sentir chegam ao papel
Uma vez que,
Existem diques que represam meu pensar,
E em suas espessas paredes estão grafados seus nomes:
Traumas familiares, cultura, costumes, educação rígida…

Talvez, um dia nasçam de forma fórceps
Embora o berro desses filhos
Possam acordar o mundo
Ao perceberem que nada mudou desde a infância,
Pois o homem continua sendo o animal
Predador do próprio homem;
Um animal que se esconde
Atrás e uma capa de civilidade…

Escrever é quebrar dia a dia
Um pedaço desses diques;
É lavar as feridas da alma
E remover casca de feridas
Para que sequem, como também
Para que se possa remediá-las.

Em meu escrever
Ainda sou um convalescente,
Pois tenho ainda em minha alma
Feridas profundas que sangram diuturnamente
E desse sangue faço tinta do que escrevo;
Letras carregadas de tempestade, dor,
Pessimismo realista e desespero

Ante o espelho que revela minhas entranhas.

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