Pensamentos e reflexões de Davi Roballo e outros autores

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As estradas que nos levam à felicidade fazem parte de um método gradual
de crescimento íntimo cuja prática só pode ser exercitada pausadamente, pois
a verdadeira fórmula da felicidade é a realização de um constante trabalho
interior.

Ser feliz não é uma questão de circunstância, de estarmos sozinhos ou
acompanhados pelos outros, porém de uma atitude comportamental em face
das tarefas que viemos desempenhar na Terra.

Nosso principal objetivo é progredir espiritualmente e, ao mesmo tempo,
tomar consciência de que os momentos felizes ou infelizes de nossa vida são o
resultado direto de atitudes distorcidas ou não, vivenciadas ao longo do nosso
caminho.

No entanto, por acreditarmos que cabe unicamente a nós a
responsabilidade pela felicidade dos outros, acabamos nos esquecendo de nós
mesmos. Como conseqüência, não administramos, não dirigimos e não
conduzimos nossos próprios passos. Tomamos como jugo deveres que não
são nossos e assumimos compromissos que pertencem ao livre-arbítrio dos
outros. O nosso erro começa quando zelamos pelas outras pessoas e as
protegemos, deixando de segurar as rédeas de nossas decisões e de nossos
caminhos.

Construímos castelos no ar, sonhamos e sonhamos irrealidades,
convertemos em mito a verdade e, por entre ilusões românticas, investimos
toda a nossa felicidade em relacionamentos cheios de expectativas coloridas,
condenando-nos sempre a decepções crônicas.

Ninguém pode nos fazer felizes ou infelizes, somente nós mesmos é
que regemos o nosso destino.

Assim sendo, sucessos ou fracassos são
subprodutos de nossas atitudes construtivas ou destrutivas.
A destinação do ser humano é ser feliz, pois todos fomos criados para
desfrutar a felicidade como efetivo patrimônio e direito natural.

O ser psicológico está fadado a uma realização de plena alegria, mas
por enquanto a completa satisfação é de poucos, ou seja, somente daqueles
que já descobriram que não é necessário compreender como os outros
percebem a vida, mas sim como nós a percebemos, conscientizando-nos de
que cada criatura tem uma maneira única de ser feliz. Para sentir as primeiras
ondas do gosto de viver, basta aceitar que cada ser humano tem um ponto de
vista que é válido, conforme sua idade espiritual.

Para ser feliz, basta entender que a felicidade dos outros é também a
nossa felicidade, porque todos somos filhos de Deus, estamos todos sob a
Proteção Divina e formamos um único rebanho, do qual, conforme as
afirmações evangélicas, nenhuma ovelha se perderá.
É sempre fácil demais culparmos um cônjuge, um amigo ou uma
situação pela insatisfação de nossa alma, porque pensamos que, se os outros
se comportassem de acordo com nossos planos e objetivos, tudo seria
invariavelmente perfeito. Esquecemos, porém, que o controle absoluto sobre as
criaturas não nos é vantajoso e nem mesmo possível. A felicidade dispensa
rótulos, e nosso mundo seria mais repleto de momentos agradáveis se
olhássemos as pessoas sem limitações preconceituosas, se a nossa forma de
pensar ocorresse de modo independente e se avaliássemos cada indivíduo
como uma pessoa singular e distinta.

Nossa felicidade baseia-se numa adaptação satisfatória à nossa vida
social, familiar, psíquica e espiritual, bem como numa capacidade de
ajustamento às diversas situações vivenciais.

Felicidade não é simplesmente a realização de todos os nossos desejos;
é antes a noção de que podemos nos satisfazer com nossas reais
possibilidades.
Em face de todas essas conjunturas e de outras tantas que não se
fizeram objeto de nossas presentes reflexões, consideramos que o trabalho
interior que produz felicidade não é, obviamente, meta de uma curta etapa,
mas um longo processo que levará muitas existências, através da Eternidade,
nas muitas moradas da Casa do pai.

ESPÍRITO SANTO NETO, Francisco do. Renovando Atitudes. 1ª ed. São Paulo: Boa Nova, 1997.

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